Querida professora!!!!

Nossa Querida Pró Regina

Como eu tinha feito um Ensino Médio preparatório para o vestibular ( Científico ), ao contrário de algumas colegas que tinham feito Magistério,  entrei no curso de licenciatura sem nenhuma experiência em sala de aula.
Durante a Faculdade, tive apenas duas experiências: uma no Colégio Central de Salvador, onde substitui uma professora durante um mês e a outra no final do curso, durante o estágio curricular supervisionado. No primeiro, que foi logo no segundo semestre, gostei da experiência, apesar das dificuldades encontradas. Era uma turma de primeiro ano noturno, a maioria trabalhava ,chegavam atrasados, cansados...  mas consegui dar conta do recado, levando em consideração estes aspectos.  No segundo, amei. Eu e minhas colegas fomos supervisionadas por uma competente professora. Aprendemos muito. Trocamos experiências. Trabalhamos com projeto. O resultado foi satisfatório.
Após concluir o meu curso (25 de outubro de 2001) de Licenciatura em Letras, pela Universidade Federal da Bahia, retornei para a minha terra, Uibaí.  Ainda na Faculdade participei do concurso público para professor do estado, de Salvador, mas quando fui convocada a tomar posse, em dezembro de 2001, eu já estava aqui em Uibaí e desisti desta vaga.
Chegando aqui distribui meu currículo em várias escolas de Irecê. Antes de iniciar o ano letivo de 2002, fui convidada para uma entrevista no Colégio Cláudio Abílio Aragão (particular) e no Colégio Luiz Eduardo Magalhães (público). Graças a Deus deu tudo certo e eu estava muito feliz. Duas experiências diferentes, pois no primeiro eu lecionei para sexta série do ensino médio e no segundo para o primeiro ano do ensino médio.
Residindo em Uibaí, eu tinha que deslocar muito cedo para Irecê e retornar à noite. Era muito cansativo, mas não desisti. Ficava até tarde elaborando aulas, provas, testes. Enfrentei muitos desafios, dificuldades, mas aprendi muito. A sala de aula passava a ser para mim um laboratório. Uma troca de experiências  entre professor, aluno. Eu tinha a mania de anotar todas as aulas no meu caderno. Dia a dia eu mim avaliava. Refletia sobre tudo que se passava na sala. Analisava minhas atitudes, minha metodologia, minha relação com os alunos,  o comportamento dos alunos... Eu sempre gostei de fazer isso. Faço até hoje e acho que tem resultados. Desde que a gente  esteja pronta para aceitar nossas críticas e procurar aperfeiçoar. Uma das coisas que eu encontrei muita dificuldade foi com domínio de classe. Com alunos do fundamental, principalmente.
No Colégio Cláudio Abílio a gente tinha orientação pedagógica. Trabalhei com portfólio. Participei de cursos em Salvador oferecidos pelo Objetivo. Mas eu consegui ficar somente um ano. A indisciplina, a rebeldia de alguns  alunos mim assustava. Percebi que a maioria não tinha acompanhamento dos pais, em casa, para a realização de atividades, pois muitos traziam as tarefas sem responder. A deficiência na leitura e escrita mim assustava. Mas tinha aqueles muito interessados, que participavam da aula, faziam tarefas, e que tinham mais facilidade. Eu analisava o comportamento agressivo de alguns alunos com colegas, a forma estressada de se comunicarem. Eu pedia ajuda, orientação com a coordenadora pedagógica, mas não tinha muita resposta. Sempre tive muito cuidado com a avaliação. Acho uma tarefa delicada.Todas as aval No início do ano, pedi para Jorge, o dono e diretor do colégio providenciar outro professor de português, pois eu não iria mais ficar. Expliquei as dificuldades que eu estava enfrentando, mas ele pediu que eu ficasse até o final do ano, pois não estava encontrando outro professor da disciplina. Tive que ficar, mas foi terrível. Trabalhamos com gincana escolar, fizemos aula viva que por sinal foi realizada aqui em Uibaí, onde hoje é o Balneário do Brejo. O espaço estava sendo reflorestado pelo dono. Os alunos trouxeram mudas de plantas que foram plantadas por eles, escreveram frases nas pedras em prol da preservação do meio ambiente. Como lá tinha um fogão à lenha os próprios alunos prepararam o almoço com a orientação da professora de ciências. Fotografaram o momento e se divertiram muito tomando banho em água corrente, jogando bola...
No Colégio Estadual Luiz Eduardo Magalhães, a experiência foi bem melhor. Acho que por ser ensino médio, os alunos sabem mais o que querem. São mais carentes. Mais compromissados. Por outro lado participei de vários cursos oferecidos pelo estado.
Quando terminou o meu contrato no estado eu dei um curso particular de redação, em Uibaí e substitui uma professora, durante três meses no Colégio Polivalente de Irecê, no turno noturno e vespertino. Foi mais uma experiência muito boa. Os alunos dos dois turnos eram participativos, questionadores, atuantes. Foi uma troca maravilhosa.
 Assim que terminou o curso de redação e as substituições do Polivalente, tomei posse no Colégio Estadual Manuel Levi após ser aprovada no processo seletivo para contrato , REDA. Logo em seguida tomei posse na Prefeitura Municipal de Uibaí após concurso público para professor nível 2.
 Hoje, estou lecionando para turmas de quinta série (sexto ano) e para uma turma de sexta série ( sétimo ano) do ensino fundamental. São alunos da sede, e de alguns povoados. As turmas são bastante heterogêneas. Trabalho bastante com leitura, interpretação, produção textual. Na primeira unidade trabalhamos com o livro: O Pequeno Príncipe. Os alunos leram o livro, interpretaram, ilustraram e assistiram ao filme. Trabalhamos também com música, poesia e com o meio ambiente. Na segunda unidade trabalhamos com textos diversos e na terceira unidade trabalhamos com o livro : O retrato das Figuras, de Anna Flora. Fizemos as leituras, interpretações, ilustrações, produção textual e uma gincana do livro. Agora na quarta unidade estamos trabalhando com fábulas. Os alunos estão amando. Eles aprenderam a estrutura da fábula além da discussão dos conteúdos que cada uma transmite a moral etc. Já ilustraram algumas, compararam versões de uma mesma fábula etc. E sempre transportamos as mesmas para o nosso mundo real. As aulas estão sendo muito produtivas.
Tenho aprendido muito, decepcionado muito, mas em nenhum momento deixei de cumprir com a minha função de forma respeitável e atuante. Sinto muito a falta de compromisso de alguns colegas. A falta de união de dedicação, socialização ... a forma como alguns diretores  se comportam, privilegiando alguns professores e menosprezando outros. O que eu vejo é cada um trabalhando individualmente. Não existe socialização. Cada um faz o seu trabalho do jeito que quer. A coordenação pedagógica é pouco atuante. Percebo que muitos colegas não se auto-avaliam e sempre colocam a culpa de tudo no aluno. Alguns criticam o trabalho do próprio colega etc. Falta união, compromisso, dedicação...
 Quando conclui o curso e retornei para a minha cidade o meu sonho era colocar em prática tudo o que eu aprendi. Imaginava encontrar uma coordenação pedagógica atuante, professores unidos, comprometidos com a educação... sonhava com a realização de projetos significativos, com alunos e pais participativos, envolvidos no processo.
 


Agredecemos de todo o nosso coração a pró REGINA que muito contribuio para estarmos hoje aqui nessa universidade com suas empenhadas aulas!!!!